sexta-feira, 9 de março de 2012

Análise discursiva da musica: Faroeste Caboclo

Introdução
Lançada em 1979, com seus 159 versos e sua complexidade única, Faroeste caboclo foi escrita por Renato Russo.

O compositor: Renato Russo não gostava de ser considerado um ícone da juventude da época, porém o era. Vocalista da banda aborto elétrico, que teve seu fim em 1981, se tornou um cantor solitário. Após um tempo, surgiu a ideia de montar a maior banda de rock brasileira dos anos 80 e 90, Legião Urbana, que se forma em 1983, com um histórico de vários álbuns e inúmeros sucessos. Tanto ele quanto a banda tem admiradores até os dias atuais, tanto no publico jovem, quanto no publico mais velho. Sensível com os problemas do mundo, e com o dom de compor ótimas musicas, ele misturou suas ideologias e sentimentos com os problemas sociais, se transformando, desta forma, em um ícone da musica nacional. Ele faleceu em 1996, vítima da AIDS.

A música: A musica narra a historia da personagem João de Santo Cristo, personagem do sertão brasileiro, que busca melhoria de vida e, assim, se muda para Brasília. Mas ele tem dificuldades e acaba se tornando traficante. Porém, o amor por Maria Lucia o transforma. A saga conta com todos os ingredientes de uma boa trama, e com uma forte problemática social: amor, traição, ódio, inimigo, luta, dificuldades, necessidades, e até morte. Renato considerava João de Santo Cristo, uma “personificação do próprio Brasil”. No final, João é morto pelo inimigo e acaba se tornando um santo para a classe popular, devido a sua coragem e sua luta.
Renato Russo, ao escrever a musica, já pensou na ideia de roteirizá-lo. Atualmente, o filme está em processo de produção.

Evento social/ fato acontecido
O Contexto: No fim dos anos 70 a Ditadura Militar aproximava-se do seu fim. Após tanta opressão, tortura e exilio, e a falta de liberdade de opinião, surge, no fim da ditadura e com a explosão do rock brasileiro, o estilo “punk”, com seu som forte e suas letras repletas de rebeldia, geralmente com causa. A liberdade politica era o tema recorrente. Renato expressava sua rebeldia pela indignação com a politica e a sociedade do Brasil. A mídia da época ainda encobria a realidade bruta do país, enquanto suas letras mostravam a visão tanto da burguesia quanto da realidade do povo da classe mais baixa. A musica era o instrumento mais acessível da população, portanto as letras eram uma forma de protesto que pudesse chegar ao maior numero de pessoas possíveis.

Formação discursiva e ideológica
A letra mostra a vida da personagem principal desde sua infância. A realidade social está presente em todo o percurso. Todas as dificuldades, todos os caminhos que João tomou, sendo eles bons ou ruins. Em algumas partes é citada, também, a vida da burguesia.
A mídia também é citada, no momento em que João vê pela televisão um ideal de vida (mostrando apenas o que era “bom” na sociedade, um exemplo similar ao visto no filme 1984) e resolve fugir para conhecer esse ideal de vida.
“E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria, escolheu a solidão.”

A realidade social é citada de diversas formas: discriminação por classe, por cor, a idealização da vida burguesa, as dificuldades da classe baixa e o choque entre as duas classes. O capitalismo também é visto como forma de idealização da personagem. A escolha de João pelo tráfico é uma demonstração das dificuldades enfrentadas no país.
João percebe, ao longo de sua trajetória, que a burguesia não é feita apenas de coisas boas, e mais de uma vez ele muda de opiniões e de atitudes em relação à realidade.
O quadro ainda retrata a sujeira na politica, a ditadura, o suborno, a manipulação dos mais humildes.

O assujeitamento
Os nordestinos como João eram considerados pessoas de baixo nível social, migrando para a capital do país em busca de uma vida melhor, de outra realidade, sendo iludidos pelas noticias vistas na mídia, na televisão. Como citado anteriormente, a mídia mostrava aquilo que a hierarquia queria mostrar, manipulando assim a população. Pode-se dizer que toda a classe baixa, de todos os cantos do país, eram assujeitados a uma imagem de estilo de vida, sendo iludidos com o “bom” andamento do país. Isso ainda é visto hoje, apenas de forma mais amena.

Praticas de linguagem
A linguagem é popular. Podemos ver claramente um uso razoável de palavrões (palavras de baixo calão).
Repare na melodia da musica: rica, forte e se modifica de acordo com as “fases” da historia.

Conclusão
Vimos aqui um quadro histórico-social de uma época importante do Brasil. Temos, também, uma forte posição da luta de classes: a burguesia x a classe social baixa. Os problemas políticos, os problemas sociais, o assujeitamento através da mídia, a luta cotidiana de um sujeito comum pela sobrevivência e pela luta de seus sonhos, seguindo caminhos nem sempre corretos e muitas vezes imposto pela sociedade. A letra de Faroeste Caboclo é um exemplo de realidade da nossa cultura e de nossa sociedade, realidade esta que continua presente no dia-a-dia de nosso povo.

A música “Faroeste caboclo”, contrariando as exigências das rádios e do imaginário que se tem do público jovem, o de que as músicas não podem ultrapassar um determinado tempo de execução, é uma das mais executadas local e nacionalmente, com seus 159 versos. É impressionante ver Russo cantando/representando pela força dramática que encerra. Vemos ali a história de tantos brasileiros pobres que buscam uma vida digna, um amor, uma família e acabam no crime, no tráfico. Como se produz a identificação em meio a tanta diferença? Ou será que a diferença é que será significada diferentemente permitindo a identificação?
(retirado de http://nonio.eses.pt/interaccoes/artigos/Q3_Vieira.pdf)



“E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz...
Sofrer...”



Referencias bibliográficas:
<http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2083301> acessado em 04/11/2011 as 14:00
<http://ludembergdantas.blogspot.com/2011/09/paratopias-na-identidade-nacional-joao.html> Acessao em 04/11/2011 as 11:00
<http://nonio.eses.pt/interaccoes/artigos/Q3_Vieira.pdf> acessado em 04/11/2011 as 16:00

 *Trabalho para concluir nota de matéria de Análise discursiva do curso de letras. Os textos foram criados com base em fontes citadas acima. Pode haver similaridade em determinados trechos.

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